Expedição bacia de Camamu

 

De todas as bacias cretáceas costeiras do Brasil, a bacia de Camamu, situada no nordeste brasileiro é, provavelmente, a menos conhecida, ao menos com base em dados de superfície. Isto deve-se certamente à sua situação geográfica, visto que grande parte da sua porção terrestre ocorre numa região costeira extremamente recortada, com inúmeras ilhas, amplos estuários e uma grande baía, a terceira maior do Brasil, denominada Camamu. Além dos problemas geográficos, colaboram com a dificuldade de encontrar-se exposições bem preservadas, a vegetação de mangue, que desenvolve-se profusamente nas orlas das ilhas e do continente, a exuberante mata Atlântica, que cresce nas áreas mais internas, e as coberturas terciárias.

Durante uma semana, uma equipe da Fundação Paleontológica Phoenix percorreu grande parte desta bacia à procura de afloramentos da seção marinha na região da baía de Camamu, no canal de Maraú e na ilha de Boipeba.

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Foram mais de 1000 km percorridos de carro, 20 horas de viagens em saveiros e até mesmo numa canoa, além de várias horas de caminhadas. Participaram da expedição Edilma de J. Andrade, Cynthia L. de C. Manso, Wagner Souza Lima e Aurivonele F. Lima, além de Murilo Marchioro, Anna Carolina M. de Oliveira, Giulia M. Marchioro e Nair Souza Lima.

Os trabalhos constaram de duas etapas: na primeira percorreu-se a região da baía de Camamu e do canal de Maraú, e na segunda, o litoral nordeste da ilha de Boipeba. O principal objetivo da expedição foi obter espécimes representativos da macrofauna marinha, visto que as últimas coletas registradas na área foram realizadas na década de 60, durante o mapeamento geológico de superfície da bacia. Além disto, procurou-se adquirir novos dados geológicos a partir da análise dos afloramentos da seção marinha desta bacia.

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Além dos afloramentos já descritos na literatura, novos afloramentos foram localizados, muitos deles fossilíferos. Obteve-se uma grande quantidade de fósseis, destacando-se os equinóides e moluscos bivalves do gênero Neithea; muitos gastrópodos foram também coletados. Com estas coletas, a Fundação paleontológica Phoenix destaca-se por possuir uma das mais completas coleções de macrofósseis da bacia de Camamu.

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A expedição à bacia de Camamu foi planejada com o intuito de obter dados geológicos e coletar fósseis para três projetos que estão sendo desenvolvidos pela equipe da fundação:

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Neithea no Albiano do Brasil;

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Equinóides do Albiano do Brasil;

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Bioestratigrafia do Albiano médio a superior do Brasil com base em amonóides.

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