Neste número:

  1. Um ano de atividades
  2. Geologia: os registros do Cretáceo superior
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Ano 1

Número 12

Dezembro 1999

Mecaster fourneli, um equinóide muito comum do Coniaciano da bacia de Sergipe (cerca de 88 milhões de anos). Um mergulho no tempo geológico

Um grande oceano no final do Cretáceo

Preservar o patrimônio fossilífero brasileiro é um grande desafio, apesar de mais de um século de pesquisa paleontológica no nosso país. Mas a comunidade paleontológica brasileira tem estado atenta à importância deste patrimônio natural, unindo esforços na tentativa de conscientizar o povo de que temos uma grande riqueza fossilífera, infelizmente pouco conhecida e valorizada. A Fundação Paleontológica Phoenix completou seu primeiro ano de atuação efetiva. Ao longo destes doze meses, a Fundação tem procurado divulgar a paleontologia brasileira, em particular a da bacia de Sergipe-Alagoas, tanto em instituições brasileiras como no exterior.

Um ano de atividades

Nosso informativo mensal também completa, com este exemplar, um ano de distribuição. Temos muitos planos pela frente, muitos temas a serem abordados e muito trabalho a ser feito. Mas antes de tudo, muita disposição para levar esta tarefa adiante. A equipe da Fundação aproveita para desejar a todos um ótimo ano 2000, de grandes descobertas, de empenho e união na luta para a valorização da paleontologia no nosso país.

Neste ano, procuramos sintetizar, restringindo-nos ao pouco espaço disponível no nosso informativo, as idéias que já foram lançadas sobre a história da bacia de Sergipe-Alagoas e, portanto, passíveis de serem questionadas. A ciência é assim, dinâmica. Por este motivo está sempre em contínua evolução, com descobertas por vezes surpreendentes e inesperadas. Difícil dar a palavra final...

Ao longo do ano, ampliamos a coleção com várias coletas realizadas principalmente no Estado de Sergipe, nas seqüências marinhas do Aptiano ao Campaniano. Esta atividade está dentro do contexto de preservação do patrimônio fossilífero da bacia, auxiliada pela catalogação de afloramentos e seleção dos afloramentos-chave a serem preservados. Incorporamos também à coleção, material procedente das bacias do Araripe, Taubaté, São Luís e Paraná, no Brasil, e também do Triássico, Jurássico e Campaniano da Alemanha e Campaniano da Espanha.

Através de convênio com a Universidade Tiradentes, em Sergipe, criamos um programa de estágios para estudantes de nível superior. Nossa primeira estagiária, Iolanda Fátima P. Ewerton, do curso de Turismo, auxiliou-nos na estruturação do roteiro turístico geológico-paleontológico para a bacia de Sergipe-Alagoas, durante o desenvolvimento de sua monografia de conclusão do curso, apresentada neste mês.

Dentro das atividades didáticas junto a estudantes do ensino médio e fundamental, foram levados ao campo estudantes dos colégios Amadeus e CCPA, de Aracaju. A fundação apoiou ainda feiras de ciências realizadas nos colégios Amadeus e na Cooperativa Educacional de Sergipe. Foram ainda realizadas duas palestras, uma na Universidade Tiradentes e outra na Cooperativa Educacional de Sergipe, ambas em Aracaju.

Continuando o relato da história da bacia de Sergipe-Alagoas, chegamos quase ao final do Cretáceo. Desde então, o oceano Atlântico, já com ampla extensão, teve papel fundamental no controle deposicional na bacia.

Geologia: os registros do

Cretáceo superior

No início do Cenomaniano, há cerca de 95 milhões de anos, uma grande subida relativa do nível do mar fez com que a sedimentação de plataforma carbonática, caracterizada predominantemente por sedimentos de águas rasas, fosse substituída por um novo sistema onde predominavam os carbonatos de granulação muito fina (dito micríticos), de água profunda. Este sistema cobriu grande parte da bacia, atingindo parcialmente a bacia de Alagoas e avançando ainda para a porção sul da bacia de Sergipe, conhecida atualmente como "plataforma de Estância".

Durante esta época, proliferaram na bacia os grandes amonóides, alguns atingindo cerca de 1 metro de diâmetro, e também os inoceramídeos, bivalvios epifaunais de grande importância bioestratigráfica. Ocorrem com alguma freqüência equinóides, gastrópodos e fragmentos de peixes..

Diagrama esquemático da configuração dos continentes sul-americano e africano há cerca de 90 milhões de anos.

A deposição destes carbonatos de água profunda estendeu-se até o início do Coniaciano, há cerca de 88 milhões de anos. Tamanha continuidade deposicional deve ter sido favorecida por um clima quente e seco, com poucas chuvas, o que dificultava o influxo de material derivado do continente para a bacia e conseqüentemente evitava a turbidez da água do mar, desfavorável para a deposição dos carbonatos.

Rochas deste período apresentam, assim como as camadas marinhas mais antigas, ótimas exposições na bacia de Sergipe. Afloram principalmente nos municípios de Laranjeiras, Japaratuba, Carmópolis, São Cristóvão e Maruim. No Estado de Alagoas ocorrem apenas em subsuperfície.

Exposição de carbonatos rítmicos na Pedreira Votorantim, em Sergipe (foto: Francisco Eduardo G. Cruz).

Rochas similares, de mesma idade, ocorrem também na bacia Potiguar, embora as exposições sejam menos expressivas.

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