Neste número:

  1. Geologia: os registros do Cretáceo superior
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Ano 2

Número 13

Janeiro 2000

Cretolamna serrata, um dente de tubarão do final do Cretáceo da bacia de Sergipe - Formação Calumbi (foto: Rogério da S. Martins Costa). Um mergulho no tempo geológico

A grande extinção do final do Cretáceo

Com este número, iniciamos o segundo ano de publicação de nosso informativo. Apesar da pequena tiragem, o temos enviado para várias instituições de pesquisa no Brasil e no exterior. Com isto, divulgamos as atividades e os esforços da fundação voltados à preservação do patrimônio paleontológico da bacia de Sergipe-Alagoas, e tornamos um pouco mais conhecida a paleontologia desta bacia para a comunidade científica que realiza pesquisas paleontológicas no Brasil.

Neste mês iniciamos também a catalogação sistemática da coleção em computador, o que facilitará o controle dos exemplares já disponíveis e a consulta ao acervo do público interessado.

Continuando o relato da história da bacia de Sergipe-Alagoas, chegamos ao final do Cretáceo, um período de grandes mudanças, não apenas nesta bacia, mas em todo o mundo. O final do Cretáceo marca a extinção de cerca de 30% dos gêneros marinhos existentes e de uma parte significativa dos seres que habitavam as porções terrestres, entre os quais os dinossauros. De importância para esta época, do ponto de vista bioestratigráfico, tem-se a extinção dos amonóides, importantes fósseis-guia do Mesozóico.

Geologia: os registros do Cretáceo superior

Ao final do Cretáceo era bem definida a separação entre as placas sul-americana e africana. Isso permitiu a existência de um largo oceano entre as duas grandes áreas continentais individualizadas. A morfologia deste oceano causou mudanças climáticas acentuadas, principalmente sobre as áreas circunvizinhas, relacionadas, em particular, ao aumento da umidade. Desta forma, aumentou a precipitação pluviométrica sobre o continente, favorecendo o fluxo de material siliciclástico, como areias e argilas para as bacias oceânicas, até pouco tempo dominadas pela deposição de carbonatos em um clima relativamente quente e seco.

Na bacia de Sergipe-Alagoas, ao término do Coniaciano (cerca de 86 milhões de anos), praticamente cessou a deposição de carbonatos, e uma nova formação de plataforma carbonática só ocorreria no Terciário, mesmo assim de magnitude bem inferior àquelas do início do Cretáceo. A deposição passou essencialmente a sedimentos arenosos ao longo da linha de costa e sedimentos finos, de composição síltico-argilosa, com alguns corpos arenosos na plataforma continental, talude e bacia oceânica.

65Ma.gif (12587 bytes) Além das mudanças fisiográficas, a ruptura final entre as placas sul-americana e africana causou o resfriamento da crosta continental até então estirada e fraturada, o que possibilitou uma lenta subsidência do embasamento da bacia. Este fenômeno de subsidência diferencial causou o basculamento geral da bacia para leste, de modo que as camadas depositadas inclinaram-se para esta direção. Este basculamento, associado à progressiva expansão do oceano Atlântico, fez com que o mar também recuasse para o leste, deixando expostas as rochas nas porções próximas à borda da bacia.
Diagrama esquemático da configuração dos continentes sul-americano e africano há cerca de 65 milhões de anos, no final do Cretáceo.

 

Rochas do final do Cretáceo ocorrem praticamente ao longo de toda a costa do Estado de Sergipe, a norte do rio Vaza-Barris. Contudo, a sua constituição litológica, representada principalmente por folhelhos facilmente alteráveis, e as coberturas sedimentares pós-cretáceas fazem com que os afloramentos sejam muito escassos, restringindo-os aos municípios de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Santo Amaro das Brotas.

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Apesar de escassos, alguns afloramentos apresentam uma fauna muito diversificada, onde predominam pequenos bivalvios e gastrópodos, destacando-se ainda os dentes de tubarões e outros peixes, alguns pequenos amonóides, e um grande réptil marinho, denominado mosassauro.

Grandes exposições de rochas do final do Cretáceo ocorrem na bacia de Pernambuco-Paraíba, onde destaca-se a fauna de amonóides, equinóides, bivalvios, crustáceos e répteis marinhos.

Um dos mais importantes afloramentos das camadas de rochas do final do Cretáceo, no município de Nossa Senhora do Socorro (foto: Wagner Souza Lima).

Reconstituição ambiental de parte da fauna marinha do final do Cretáceo da bacia de Sergipe, destacando-se o mosassauro (fonte: Globo Ciência, Fev. 1998; ilustração de Martini).

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