Neste número:

  1. Geologia: o Terciário
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Ano 2

Número 14

Fevereiro 2000

Plagiolophus sp., um crustáceo decápoda do Paleoceno da Fm. Maria Farinha, bacia de Pernambuco-Paraíba (foto: Wagner Souza Lima). Um mergulho no tempo geológico

O recuo do oceano Atlântico

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Em 17 de Março comemora-se o dia do Paleontólogo. Será realizada no Rio de Janeiro uma solenidade para marcar este dia, que contará com uma homenagem ao colega Thomas Rich Fairchild. A todos os paleontólogos e amantes da paleontologia, e ao Thomas Fairchild, nossos desejos de muito sucesso.

A história simplificada da evolução geo-lógica da bacia de Sergipe-Alagoas está chegando ao fim. Neste número, veremos as modificações ocorridas durante o Ter-ciário, que causaram marcas profundas e resultaram, em linhas gerais, nas feições que hoje podemos ver em superfície.

Geologia: o Terciário

Ao final do Cretáceo, a subsidência diferencial sofrida pela bacia, associada à expansão do oceano Atlântico Sul, causou o progressivo deslocamento da linha de costa para leste. Esta descida relativa do nível do mar permitiu o avanço de um sistema de areias continentais sobre os sedimentos depositados na plataforma. O clima úmido e quente favoreceu o desenvolvimento de uma plataforma carbonática já a partir do Paleoceno, porém sem o mesmo vigor daquelas que existiram durante os primórdios do estabelecimento do proto-oceano Atlântico, durante o Albiano.

Ao final do Terciário, provavelmente durante o Plioceno, o clima quente e bastante úmido acentuou os processos erosivos das rochas expostas a oeste, que foram bastante intemperisadas. Deste modo, espessos pacotes de sedimentos arenosos e caolínicos cobriram as porções continentais da bacia. Na área oceânica prosseguia, contudo, a deposição dos sedimentos areno-argilosos de plataforma, talude e bacia oceânica.

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Sedimentos terciários (róseos) dispostos em discordância sobre sedimentos do Cretáceo superior na bacia de Sergipe-Alagoas (Foto: Wagner Souza Lima).

Na bacia de Sergipe-Alagoas, as rochas marinhas de idade terciária não ocorrem em superfície. Distribuem-se apenas em subsuperfície, tanto na região continental quanto na porção marítima da bacia. As rochas continentais de provável idade pliocênica, ao contrário, cobrem praticamente toda a faixa costeira dos estados de Sergipe e Alagoas, e mesmo de outros estados brasileiros.

Importantes depósitos marinhos de idade paleocênica (e talvez eocênica) ocorrem na bacia de Pernambuco-Paraíba, onde pode ser encontrada uma fauna abundante e diversificada de gastrópodos, bivalvios, nautilóides e peixes, dentre outros.

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Sedimentos do Paleoceno (Terciário) da bacia de Pernambuco-Paraíba expostos na pedreira Poty, em Paulista, Pernambuco (Foto: Jorge Darlan Ortiz).

A flora de idade terciária, proveniente da localidade de Ouriçanguinhas, próximo a Alagoinhas, na bacia do Recôncavo, Bahia, tornou-se mundialmente conhecida. Coletada no final do século passado, contém muitas formas semelhantes às que ocorrem atualmente na região. Outras, porém, mostram afinidades com espécies encontradas em regiões de clima temperado.

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Folhas de dicotiledôneas da flora de Ouriçanguinhas. Coleção do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MN-106-Pb). Foto: Sérgio Ferreira Beck (extraída do livro "Fósseis do Brasil" de Murilo Rodolfo de Lima).

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