Neste número:

  1. Por que criar uma Fundação paleontológica?
  2. Por que Phoenix?
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Ano 1

Número 3

Março 1999

Douvilleiceras inaequinodum, um amonóide do Albiano inferior de Sergipe (cerca de 110 milhões de anos - Formação Riachuelo) Renascimento da Paleontologia em Sergipe

A criação da primeira fundação brasileira voltada à preservação de patrimônio paleontológico

A criação da Fundação Paleontológica Phoenix é o resultado de vários anos de empenho na preservação do patrimônio paleontológico dos Estados de Sergipe e Alagoas.

Informalmente, a Fundação tem existido há mais de cinco anos, porém apenas agora está adquirindo seu caráter jurídico próprio. Ao longo deste tempo, mais de três mil peças foram incorporadas ao seu acervo, contando com material fossilífero procedente não só dos Estados de Sergipe e Alagoas, mas de vários outros estados brasileiros.

Por que criar uma Fundação paleontológica?

Os Estados de Sergipe e Alagoas apresentam, na sua região costeira, uma extensa faixa de rochas sedimentares que constituem a bacia sedimentar de Sergipe-Alagoas.

Embora existam várias outras bacias costeiras no Brasil, esta é a que apresenta exposta a mais completa seqüência de sedimentos que registram a lenta evolução da abertura do oceano Atlântico Sul, iniciada há mais de 100 milhões de anos. Esses registros são constituídos pelas rochas e pelos fósseis nelas contidos. Nas demais bacias costeiras estes depósitos também ocorrem, mas estão em geral incompletos ou sob o mar.

Os fósseis encontrados nesta bacia são registros dos animais e plantas que aqui viveram, não apenas durante a abertura do oceano Atlântico, mas também em épocas ainda mais remotas. Seu estudo constitui, antes de tudo, uma maneira de conhecermos a história da origem dos seres vivos, bem como a nossa. Os fósseis têm também importância fundamental na prospecção e utilização econômica de recursos minerais provenientes de rochas sedimentares, tais como petróleo e gás.

Esta importância para a ciência já havia sido observada pelos primeiros pesquisadores que aqui estiveram a partir da segunda metade do século passado, integrando as missões científicas pelo interior do Brasil, cujos trabalhos, por si só, sintetizam o destaque do Brasil no cenário paleontológico mundial.

O naturalista norte-americano Charles Frederick Hartt, que integrou a expedição chefiada por Louis Agassiz em sua viagem pelo Brasil, foi um dos primeiros a percorrer parte do Estado de Sergipe. Ele descreveu a geologia desta região ("Geology and physical geography of Brazil", publicado em 1870) e efetuou coletas de fósseis no Estado, nos arredores das cidades de Maruim e Laranjeiras.

Vários outros pesquisadores aqui retornaram nos anos seguintes, destacando-se os trabalhos realizados pelo paleontólogo americano Charles Abiathar White, que compunha a antiga "Commissão Geologica do Imperio do Brazil". Este pesquisador publicou em 1887 um histórico trabalho sobre material coletado no Estado, em sua monografia "Contribuições à paleontologia do Brasil". O próprio Imperador D. Pedro II teria efetuado, durante sua visita a Sergipe, coleta de material paleontológico. Dizem que para isso até uma ponte foi construída, de maneira a facilitar sua chegada ao local de coleta. Nos anos que se seguiram merecem destaque os trabalhos descritivos realizados pela paleontóloga norte-americana Carlotta Joaquina Maury sobre material coletado na região entre as cidades de Estância e Maruim publicados no monografia "O Cretáceo de Sergipe" (1937).

Entretanto, com o passar dos anos, importantes áreas fossilíferas, inclusive as historicamente trabalhadas, fundamentais ao estudo desta seqüência sedimentar, vêm sendo pouco a pouco degradadas, seja por causas naturais (cobertura vegetal, processos de formação de solos, efeito climático, etc.), seja pelo avanço da exploração e ocupação humana na região.

Estes aspectos enfatizam a necessidade de garantir a preservação em coleção deste patrimônio inestimável para a comunidade científica e ao público em geral, para futuras pesquisas e consultas, através de coletas sistemáticas. Desta forma foi definido um dos objetivos da Fundação, que é a criação de um museu no Estado de Sergipe para abrigar esta coleção.

Para este fim, um grupo de pesquisadores derivados principalmente das áreas de geologia e biologia se reuniram, de modo a criar uma instituição voltada à coleta, preservação e exposição do patrimônio fossilífero da bacia de Sergipe-Alagoas e também de outras bacias sedimentares brasileiras, com sede na cidade de Aracaju.

Por que Phoenix?

O Phoenix é uma ave mitológica cuja história está presente na mitologia grega, egípcia e árabe, havendo evidências de sua representação também na arte chinesa, hindu, maia e asteca.

Segundo uma lenda, esta ave, única no mundo, viveria na Arábia, próxima a uma fonte. Toda manhã, ao amanhecer, o deus sol pararia sua carruagem para observar o seu canto à beira da fonte. Quando a ave sentia que seu fim estava próximo, ela própria construía um ninho, no qual seu corpo era consumido em chamas, restando apenas as cinzas. Em seguida uma nova phoenix renascia destas cinzas.

Este processo simbolizaria o nascer e o por do sol, a renovação das esperanças na luta da vida. O phoenix simboliza também a imortalidade, a ressurreição e vida após a morte, poder, lealdade e honestidade.

E com este ideal, foi escolhida para denominar e ilustrar a nossa fundação.

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