Ano 5

Número 51

Março 2003

Distribuição geográfica das principais bacias sedimentares do Brasil, com localização da bacia do Recôncavo (em azul).

Bacias sedimentares brasileiras

Bacia do Recôncavo

Bacia do Recôncavo

Paulo da Silva Milhomem*, Eduardo Jorgens De Maman#, Flavio Miranda de Oliveira$, Marise Sardenberg Salgado de Carvalho+ & Wagner Souza-Lima¨

*PETROBRAS-UNBA-ATEX-LG, Salvador, Bahia, Brasil (e-mail: milhomem@petrobras.com.br)

#PETROBRAS-UNBA-ATEX-LG, Salvador, Bahia, Brasil (e-mail: demaman@petrobras.com.br)

$PETROBRAS-UNBA-ST-CER, Salvador, Bahia, Brasil (e-mail: fmo@petrobras.com.br)

+CPRM/DEGEO/DIPALE, Rio de Janeiro, Brasil (e-mail: carvalho@rj.cprm.gov.br)

¨ Fundação Paleontológica Phoenix, Aracaju, Sergipe, Brasil (e-mail: wagnerl@hotmail.com)

A bacia do Recôncavo localiza-se no Estado da Bahia, Nordeste do Brasil, ocupando uma área de aproximadamente 11.500 km2. Seus limites são dados pelo Alto de Aporá, a norte e noroeste, pelo sistema de falhas da Barra, a sul, pela falha de Maragogipe, a oeste, e pelo sistema de falhas de Salvador, a leste (Figura 1). O conhecimento que hoje se detém acerca de sua evolução tectono-sedimentar relaciona-se aos esforços exploratórios empreendidos pela PETROBRAS, consolidados em cerca de 5.700 poços e 57.000km de linhas sísmicas. As atividades de prospecção antecedem, no entanto, a criação da Petrobras, tendo se iniciado já em 1937. Sob a égide do antigo Conselho Nacional do Petróleo, a primeira descoberta significativa de óleo data de 1939, em poço perfurado no distrito de Lobato, em Salvador.

Figura 1 - Localização, limites e arcabouço estrutural da bacia do Recôncavo, mapeado ao nível da seção pré-rift3.

A bacia do Recôncavo teve sua origem relacionada ao processo de estiramento crustal que resultou na fragmentação do Gondwana e abertura do Oceano Atlântico. A arquitetura básica da bacia reflete as heterogeneidades do embasamento pré-cambriano sobre o qual atuaram esforços distensionais, resultando em um meio-graben com orientação NE-SW e falha de borda a leste (sistema de falhas de Salvador), com rejeito eventualmente superior a 6.000m1. Sua configuração estrutural é definida principalmente por falhamentos normais planares, com direção preferencial N30°E (Figura 1), que condicionam o mergulho regional das camadas para SE, em direção às áreas mais subsidentes (Figura 2). Taxas de extensão diferenciadas ao longo da bacia são acomodadas através de zonas de transferência com orientação N40W, a exemplo da falha de Mata-Catu. O campo de tensões responsável pela atenuação e ruptura da crosta teria estado ativo entre o Mesojurássico (cerca de 165 Ma) e o Eocretáceo (cerca de 115 Ma) 2.

Figura 2 - Seção geológica esquemática NW-SE, ilustrando a morfologia de meio-graben da bacia do Recôncavo, cujo depocentro situa-se a leste.

Estima-se que a seção sedimentar preservada na bacia do Recôncavo possua uma espessura máxima da ordem de 6.900m, no Baixo de Camaçari1. Trata-se, sobretudo, de depósitos acumulados durante o processo distensional juro-cretáceo e relacionados aos estágios pré-rift (Thitoniano? a Eoberriasiano?), sin-rift (Eoberriasiano? a Eoaptiano?) e pós-rift (Neoaptiano?/Eoalbiano?). Registros menos expressivos datam do Permiano, do Neogeno (Mioceno e Plioceno) e do Quaternário (Figura 3).

Sedimentos paleozóicos, depositados sob condições de bacia intracratônica4, são representados pelos membros Pedrão e Cazumba da Formação Afligidos. As associações faciológicas testemunham um clima árido e tendência geral regressiva. O Membro Pedrão caracteriza-se por sedimentos clásticos, evaporitos e laminitos algais, depositados em contexto marinho5. Depósitos continentais, representados por pelitos avermelhados, lacustres, constituem o Membro Cazumba. Dados palinológicos conferem uma idade permiana ao Membro Pedrão, permitindo relacioná-lo às formações Pedra de Fogo (bacia do Parnaíba), Aracaré (bacia de Sergipe-Alagoas) e Santa Brígida (bacias do Tucano Norte e do Jatobá).

Figura 3 - Carta estratigráfica simplificada da bacia do Recôncavo4.

A sedimentação pré-rift é representada por ciclos fluvio-eólicos (Membro Boipeba da Formação Aliança, formações Sergi e Água Grande), aos quais se intercalam sistemas lacustres transgressivos (Membro Capianga da Formação Aliança e Formação Itaparica). As formações Aliança e Sergi testemunham um amplo sistema aluvial, desenvolvido provavelmente durante o Neojurássico (Andar Dom João), sob clima árido e em fase inicial de flexuramento crustal. Dados paleontológicos indicam que a deposição das formações Itaparica e Água Grande teria ocorrido no Eocretáceo. Ao tempo de deposição destas unidades, particularmente da Formação Água Grande, já se esboçava a configuração atual da bacia do Recôncavo6, sugerindo um incipiente controle tectônico. Não obstante, o limite entre as fases pré-rift e rift tem sido mais recentemente posicionado na discordância que sobrepõe os pelitos lacustres do Membro Tauá da Formação Candeias aos arenitos fluvio-eólicos da Formação Água Grande. Além de uma provável umidificação do clima7, considera-se que esta transgressão lacustre esteja relacionada a um incremento regional nas taxas de subsidência, sob atividade tectônica ainda moderada.

Na fase rift, supõe-se que a sucessão estratigráfica identificada na bacia do Recôncavo tenha sido caracterizada por um estágio inicial de lago profundo, progressivamente assoreado em estágios mais tardios. Os folhelhos, calcilutitos e arenitos turbidíticos do Membro Gomo da Formação Candeias testemunham a fase inicial de incremento batimétrico, resultante da conjugação de um clima mais úmido7 à intensificação da atividade tectônica e estruturação da bacia em áreas plataformais pouco subsidentes, relativamente estáveis, e depocentros com elevadas taxas de subsidência1. Nessa época, como ao longo de todo o Rio da Serra, oscilações do nível do lago relacionadas a variações climáticas podem ter resultado na exposição e erosão destas áreas plataformais. Calcarenitos oolíticos/ oncolíticos associam-se subordinadamente às áreas mais estáveis e rasas.

A atenuação da atividade tectônica ao longo do Rio da Serra8, 9 (Figura 3) resultou no progressivo assoreamento dos depocentros, com redução dos gradientes deposicionais. A Formação Maracangalha traduz a manutenção de batimetrias ainda relativamente elevadas, como demonstrado pelo grande volume dos depósitos vinculados a fluxos gravitacionais que caracterizam os membros Caruaçu e Pitanga. Estes depósitos relacionam-se à ressedimentação das fácies deltaicas que posteriormente progradariam ao longo da bacia (Formação Marfim), sob condições de relativa quiescência tectônica. As características do Membro Pitanga, representado por espessos pacotes de arenito maciço, muito fino a fino, com feições de escape de fluidos, clastos de folhelho e expressiva variação lateral, são indicativas da sismicidade durante sua deposição10. A estruturação e o basculamento da bacia, associados à sobrecarga exercida pelos depósitos gravitacionais de idade Rio da Serra, foi determinante para o início do processo de argilocinese e o desenvolvimento de falhamentos lístricos sindeposicionais. Estes últimos são feições de extrema importância nos depocentros da bacia, tendo atuado na distribuição e estruturação de reservatórios das formações Maracangalha, Marfim e Pojuca.

A fisiografia da bacia assumiu uma geometria de rampa ao tempo do Andar Aratu11 (Figura 3), definindo um contexto de reduzidas taxas de subsidência e baixos gradientes deposicionais. Sob tais condições, o registro estratigráfico desenvolveu-se como uma sucessão cíclica de fácies deltaicas e seqüências pelíticas/carbonáti-cas lacustres (Formação Pojuca). Em sua maior parte, os sedimentos lacustres materializam períodos de afogamento regional, constituindo marcos estratigráficos de fácil correlação, por possuírem uma assinatura típica em perfis grafo-elétricos. A consistência regional destes marcos é notável, sendo possível identificá-los mesmo na sub-bacia do Tucano Sul.

Na borda oeste da bacia do Recôncavo, a reativação da falha de Paranaguá resultou na escavação do canyon de Taquipe12. Os sedimentos que o preencheram (Formação Taquipe) compreendem folhelhos, siltitos, arenitos e, subordinadamente, conglomerados, margas e calcarenitos ostracodais, depositados sobretudo como resultado de fluxos de detritos e correntes de turbidez13, a partir da desestabilização das fácies de frente deltaica da Formação Pojuca e, eventualmente, da remobilização de sedimentos mais antigos, pertencentes às formações Marfim e Maracangalha.

O assoreamento da bacia do Recôncavo se encerra com a deposição das fácies fluviais que caracterizam a Formação São Sebastião. Durante o Jiquiá, um novo ciclo tectônico promoveu tanto a criação como a reativação de falhamentos1, permitindo a preservação de espessos pacotes vinculados a esta unidade. O caráter agradacional da sedimentação ao final do ciclo de preenchimento da bacia deve-se ao equilíbrio entre as taxas de aporte sedimentar e de subsidência. Neste processo, os registros lacustres limitaram-se progressivamente ao segmento meridional do Baixo de Camaçari (Figura 3).

Conglomerados relacionáveis a leques aluviais sintectônicos (Formação Salvador) são uma feição conspícua na borda leste da bacia, estando relacionados à atuação do sistema de falhas de Salvador durante toda a fase rift (andares Rio da Serra a Jiquiá).

Os depósitos cretáceos mais jovens preservados na bacia do Recôncavo são representados pelos clásticos grossos (conglomerados e arenitos), folhelhos e calcários que caracterizam a Formação Marizal, de idade Alagoas (Figura 3). O contraste entre a suborizontalidade de seus estratos e a estruturação dos depósitos sotopostos permite relacionar sua deposição ao contexto de subsidência termal pós-rift1, 11. Em outras bacias da margem continental, no entanto, persistem os esforços distensionais.

A ocorrência de sedimentos terciários é subordinada na bacia, estando representada pelas fácies de leques aluviais pliocênicos que caracterizam o Grupo Barreiras e pelos folhelhos cinza-esverdeados e calcários impuros da Formação Sabiá. Estes últimos testemunham uma incursão marinha de idade miocênica14.

Os principais reservatórios do Recôncavo são de natureza siliciclástica e envolvem fácies fluvio-eólicas (Membro Boipeba da Formação Aliança, formações Sergi e Água Grande), deltaicas (formações Marfim e Pojuca) ou vinculadas a fluxos gravitacionais (Membro Gomo da Formação Candeias e Membro Caruaçu da Formação Maracangalha). As características permoporosas desses sedimentos são controladas, basicamente, pela atuação heterogênea dos processos diagenéticos superimpostos, desenvolvidos desde pequenas profundidades, ainda sob influência deposicional, até condições de soterramento elevado. Folhelhos dos membros Tauá e Gomo da Formação Candeias representam os intervalos geradores da bacia.

As principais acumulações de petróleo desta bacia relacionam-se aos depósitos fluvio-eólicos das formações Sergi e Água Grande. Os arenitos fluviais são finos a conglomeráticos e os eólicos muito finos a médios, destacando-se a excelente permoporosidade destes últimos. A infiltração mecânica de argilas durante cheias episódicas representa o principal evento eodiagenético nessas fácies15. Até recentemente, o sistema Água Grande/Sergi do Campo de Água Grande detinha a maior produção acumulada de óleo por campo no Brasil.

Arenitos relacionados a fluxos gravitacionais subaquosos, finos a grossos, com boas características permoporosas, constituem os reservatórios associados ao Membro Gomo da Formação Candeias. Suas principais acumulações, exemplificadas pelos campos de Riacho da Barra, Fazenda Bálsamo, Rio do Bu e Cexis, relacionam-se ao último ciclo importante de descobertas exploratórias, empreendido no início da década de 1980.

Arenitos muito finos a finos, notadamente argilosos e com baixas permeabilidades, caracterizam o Membro Caruaçu da Formação Maracangalha. Seu caráter errático tem trazido grandes dificuldades à atividade exploratória e relaciona-se tanto ao processo deposicional que lhes deu origem (fluxos gravitacionais) como à própria evolução tectono-sedimentar da bacia durante o final do Rio da Serra. Nessa época, a ascensão adiastrófica de grandes massas de lamas prodeltaicas, somada à sismicidade ainda atuante na bacia, teria promovido uma intensa fluidização de parte dos depósitos gravitacionais para a constituição dos arenitos maciços que caracterizam o Membro Pitanga. Os arenitos Caruaçu detêm a maior reserva de gás não associado da bacia, concentrada principalmente nos campos de Miranga Profundo e Jacuípe.

Os reservatórios deltaicos do Grupo Ilhas são representados por arenitos muito finos a finos, com boas características permo-porosas. Conforme a magnitude dos eventos progradacionais, sua geometria externa varia de lenticular a lençol, refletindo o grau de amalgamação de lobos sigmoidais em uma superfície ampla, com baixos gradientes deposicionais. Estes reservatórios encerram importantes acumulações de óleo e gás associado, a exemplo dos campos de Miranga, Araçás, Taquipe e Fazenda Imbé.

A bacia do Recôncavo apresenta um registro fossilífero relativamente diversificado, que inclui ostracodes, palinomorfos, foraminíferos, conchostráceos, bivalves e gastrópodes, além de restos vegetais, como âmbar, troncos silicificados de coníferas, e vertebrados. Os primeiros fósseis descritos consistiam em moluscos bivalves, escamas e fragmentos ósseos do peixe Lepidotes, ossos de crocodilianos e supostas vértebras de dinossauros, coletados em 1859 por Samuel Allport nas vizinhanças de Salvador16. Posteriormente, importantes descobertas foram realizadas em diversos afloramentos, hoje clássicos, na orla da baía de Todos os Santos, tendo sido objeto de numerosos estudos17, 18, 19, 20, 21, 22.

A ictiofauna (Figura 4) ocorre principalmente nos estratos do Grupo Santo Amaro, nas formações Itaparica, Candeias e Maracangalha, andares Rio da Serra-Aratu (Berriasiano ao Barremiano). É composta, em sua maioria, por Osteichthyes, sendo os peixes pré-barremianos caracterizados por uma baixa diversidade genérica. Os actinopterígios aparecem em grande número e a associação é formada por semionotídeos, amiídeos e diversos teleósteos. Os semionotídeos, representados por Lepidotes, são registrados por escamas, fragmentos de ossos e exemplares completos (Lepidotes roxoi)21, 23, 24, 25. É o gênero mais freqüente permitindo correlações entre diversas bacias de ambiente lacustre.

Os amiídeos são conhecidos por um único exemplar de Calamopleurus mawsoni26. Os teleósteos descritos são endêmicos e com poucas espécies: Belonostomus carinatus22, Cladocyclus mawsoni20, 27, Ellimmichthys longicostatus20, Itaparica woodwardi28 e Scutatuspinosus itapagipensis29. Cladocyclus é exceção, ocorrendo em outras seqüências nas bacias do Araripe e Sergipe-Alagoas. O mais completo exemplar conhecido do sarcopterígio Mawsonia gigas ocorre no Neocomiano da bacia do Recôncavo30. É o registro mais antigo do gênero assinalado em bacias africanas e sul-americanas, alcançando o Cenomaniano em ambos os continentes. Os Chondrichthyes são representados apenas por um dente do tubarão hibodontídeo Acrodus nitidus21.

Figura 4 - Alguns exemplos de peixes fósseis da bacia do Recôncavo. A) Ellimmichthys longicostatus (Cope, 1886) (BMNH P 7109); B) Calamopleurus mawsoni (Woodward, 1902) - holótipo (BMNH P 9620). Barra de escala igual a 10 mm.

Dentes dos répteis Sarcosuchus hartii e S. bahiensis, além de gastrópodes, moluscos bivalves e conchostráceos, todos de água doce, foram descritos das localidades de Monte Serrat, Pedra Furada e Itapagipe, em Salvador16, 18.

Os ostracodes (Figura 5) constituem o principal grupo fóssil descrito na bacia, o que se justifica tanto pela diversidade, abundância e preservação da microfauna, como por seu elevado potencial bioestratigráfico. A bacia do Recôncavo reúne, por excelência, o principal registro desse grupo no Brasil. O arcabouço biocronoestratigráfico do Neojurássico/Eocretáceo de bacias da margem continental brasileira traz como principal referência a distribuição estratigráfica dos ostracodes identificados no Recôncavo31. Na bacia, as características da microfauna de ostracodes recuperada na seção rift são um reflexo da própria história do seu preenchimento e, portanto, de sua evolução tectônica.

Figura 5 - Ostracodes da bacia do Recôncavo. A) Petrobrasia reticulata Moura, 1972 (Fm. São Sebastião, Andar Buracica); B) Cypridea acicularis Krömmelbein & Weber, 1971 (Fm. Candeias, Andar Rio da Serra). Barra de escala igual a 200 m .

As associações que caracterizam a fase inicial de maior subsidência tendem a ser pouco abundantes e pouco diversificadas, em face da deficiência na oxigenação de fundo, sob elevada lâmina d´água. A diversidade e a abundância da microfauna se acentuam com a atenuação do tectonismo e progressivo assoreamento dos depocentros, atingindo seu clímax ao tempo de deposição do Andar Aratu, quando se expandem os nichos favoráveis ao estabelecimento de associações numerosas e diversificadas. Nesta época, as reduzidas taxas de subsidência e os baixos gradientes deposicionais são responsáveis pela prevalência de ambientes de água rasa, com fundo oxigenado, ideais para o desenvolvimento da microfauna de ostracodes. Associações igualmente diversificadas e abundantes são descritas já ao tempo de deposição do Andar Rio da Serra médio a superior, porém mais comumente restritas a áreas plataformais. A predominância de fácies fluviais restringe progressivamente o desenvolvimento e preservação da microfauna de ostracodes em seções mais jovens, de idades Buracica a Jiquiá.

Dos sedimentos do Grupo Barreiras, aflorantes na região de Ouriçanguinhas, norte da bacia, provém um dos mais importantes registros da flora terciária do Brasil. Descoberta em 1870, apresenta mais de 30 espécies de dicotiledôneas descritas, algumas delas ainda viventes, permitindo datar os sedimentos como pliocênicos32.

Embora o rift do Recôncavo-Tucano-Jatobá não tenha evoluído para uma bacia de margem passiva, ao cessar sua evolução tectônica já no início do Aptiano, ele apresenta dois curiosos registros de incursões marinhas pós-aptianas. Das localidades de Inhambupe e de Santa Cruz (estas na sub-bacia de Tucano Sul), foram descritos o pectinídeo Neithea sergipensis e gastrópodes do gênero Turritella33. Estes gêneros são comuns no Aptiano-Albiano da bacia de Sergipe-Alagoas, e sua ocorrência nestas localidades seria um indicativo de que a transgressão eocretácea poderia ter atingido o norte da bacia do Recôncavo. Porém os registros são esparsos e demandam ainda maiores estudos. Já na região de Mata de São João, ao norte de Salvador, foram encontrados folhelhos (Formação Sabiá) ricos em foraminíferos, principalmente bentônicos, que permitiu datá-los como miocênicos, indicando uma nova transgressão marinha ao final do Terciário14.

1Aragão, M. A. N. F. de 1994. Arquitetura, estilos tectônicos e evolução da Bacia do Recôncavo, Brasil. In: Simpósio sobre o Cretáceo do Brasil, 3, Rio Claro, 1994. UNESP/IGCE, Boletim de Resumos, pp. 165-167.

2Abrahão, D. & Warme, J. E. 1990. Lacustrine and associated deposits in a rifted continental margin - Lower Cretaceous Lagoa Feia Formation, Campos Basin, offshore Brazil. In: Katz, B. J. (ed.), Lacustrine basin exploration: case studies and modern analogs. The American Association of Petroleum Geologists, Special Publication, 50: 287-305.

3Santos, C. F. dos 1998. Seqüências estratigráficas, variação do nível do lago e ciclicidade no Andar Buracica (Formação São Sebastião) das bacias do Recôncavo e Tucano Sul, Bahia, Brasil. Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Tese de doutorado não publicada, 2 vols., 315 pp.

4Caixeta, J. M.; Bueno, G. V.; Magnavita, L. V. & Feijó, F. J. 1995. Bacias do Recôncavo, Tucano e Jatobá. Boletim de Geociências da Petrobras, 8 (1): 163-172. [para o ano de 1994]

5Aguiar, G. A. & Mato, L. F. 1990. Definição e relações estratigráficas da Formação Afligidos nas bacias do Recôncavo, Tucano Sul e Camamu, Bahia, Brasil. In: Congresso Brasileiro de Geologia, 36, Natal, 1990. Sociedade Brasileira de Geologia, Anais, 1: 157-170.

6Ghignone, J. I. 1979. Geologia dos sedimentos fanerozóicos do Estado da Bahia. In: Inda, H. A. V. (ed.), Geologia e Recursos Minerais do Estado da Bahia: Textos Básicos. Salvador, Secretaria das Minas e Energia, Coordenação da Produção Mineral, 1: 24-117.

7Regali, M. S. P. 1966. Zoneamento palinológico e paleoclima da Bacia do Recôncavo e do Tucano. Salvador, PETROBRAS/DEXBA, Relatório interno não publicado, 9 pp.

8Silva, H. C. T.; Picarelli, A. T.; Caixeta, J. M.; Campos, N. R.; Silva, O. B. & Rigueira, R. 1989. Aspectos evolutivos do Andar Rio da Serra, fase rift, na Bacia do Recôncavo e a Formação Jacuípe. PETROBRAS/ DEXBA, Relatório interno não publicado, 139 pp.

9Picarelli, A. T.; Caixeta, J. M.; Mato, L. F. & Witzke, R. E. 1991. Análise estratigráfica do Andar Rio da Serra na Plataforma de Quiricó, Bacia do Recôncavo, Brasil. PETROBRAS/ CENPES, Relatório interno não publicado, 40 pp.

10Raja Gabaglia, G. P. 1991. Paleosismicidade e sedimentação - evidências no compartimento sul da Bacia do Recôncavo, Bahia. Boletim de Geociências da Petrobras, 5: 39-68.

11Silva, H. T. F. 1993. Flooding surfaces, depositional elements and accumulation rates - characteristics of the Lower Cretaceous Tectonosequence in the Reconcavo Basin, northeast Brazil. Austin, Texas University, Tese de doutorado não publicada, 311 pp.

12Bueno, G. V. 1987. Considerações sobre a sedimentação e origem do paleocanyon de Taquipe, Bacia do Recôncavo (Brasil). Ouro Preto, Universidade Federal de Ouro Preto, Dissertação de Mestrado não publicada, 132 pp.

13Amorim, J. L. de 1992. Evolução do preenchimento do Cânion de Taquipe, Neocomiano da Bacia do Recôncavo, sob o enfoque da Estratigrafia Moderna. Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Dissertação de Mestrado não publicada, 110 pp.

14Petri, S. 1972. Foraminíferos e o ambiente de deposição dos sedimentos do Mioceno do recôncavo baiano. Revista Brasileira de Geociências, 2 (1): 51-67.

15Bruhn, C. H. L & De Ros, L. F. 1987. Formação Sergi: evolução de conceitos e tendências na geologia de reservatórios. Boletim de Geociências da Petrobras, 1 (1): 25-40.

16Allport, S. 1860. On the Discovery of some fossil remains near Bahia, in South America (with notes on the fossil by P. Edgerton, J. Morris and T. Rupert Jones). Quarterly Journal of the Geological Society, 16 (3): 263-268.

17Marsh, O. C. 1869. Notice of some new reptilian remains from the Cretaceous of Brazil. American Journal of Sciences and Arts, 47: 390-392.

18Hartt, C. F. 1870. Geology and Physical Geography of Brazil. Boston, Fields, Osgood & Co, reeditado por Robert E. Krieger Ed., New York, 1975, 620 pp.

19Derby, O. A. 1878. A bacia cretácea da baía de Todos os Santos. Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, 3: 135-158.

20Cope, E. D. 1886. A contribution to the vertebrate paleontology of Brazil. Proceedings of the American Philosophical Society, 23 (121): 1-21, 1 estampa.

21Woodward, A. S. 1888. Notes on some vertebrate fossils from the Province of Bahia, Brazil, collected by Joseph Mawson. Annals and Magazine of Natural History, 2 (8): 132-136.

22Mawson, J. & Woodward, A. S. 1907. On the cretaceous formation of Bahia (Brazil) and on vertebrate fossils collected therein. Quarterly Journal of the Geological Society, 63: 28-139.

23Silva Santos, R. da 1953a. Lepidotídeos do Cretáceo da Ilha de Itaparica, Estado da Bahia, Brasil. Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Boletim, 145: 1-26.

24Silva Santos, R. da 1953b. Lepidotus llewellyni, nova espécie da Formação Santo Amaro, Estado da Bahia. Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Notas preliminares e estudos, 1953b. Lepidotus llewellyni, nova espécie da Formação Santo Amaro, Estado da Bahia. Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Notas preliminares e estudos, 67: 1-11.

25Silva Santos, R. da 1969. Sobre um Lepidotes da Formação Itaparica, Estado da Bahia. Instituto de Geociências, UFRJ, Boletim de Geologia, 4: 43-46.

26Woodward, A. S. 1902. On an amioid Fish (Megalurus mawsoni sp. n.) from the Cretaceous of Bahia. Annals and Magazine of Natural History, 7 (9): 87-89.

27Silva Santos, R. da 1986. Posição taxinômica de Cladocyclus woodwardi (Silva Santos) do Cretáceo do Brasil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 58 (2): 229-231.

28Silva Santos, R. da 1949. Sobre alguns peixes fósseis do gênero Chiromystus da ilha de Itaparica, Bahia. Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Notas preliminares e estudos, 50: 1-12.

29Silva Santos, R. da & Correa, V. L. da S. 1985. Contribuição ao conhecimento da paleoictiofáunula do Cretáceo no Brasil. Brasil. In: Departamento Nacional da Produção Mineral, Coletânea de Trabalhos Paleontológicos. pp. 169-174. Brasília.

30Carvalho, M. S. S. de 1982. O gênero Mawsonia na ictiofáunula do Cretáceo do Estado da Bahia. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 54 (3): 519-539.

31Viana, C. F; Gama Jr., E. G.; Simões, I. A.; Moura, J. A.; Fonseca, J. R. & Alves, R. J. 1971. Revisão estratigráfica da Bacia do Recôncavo/Tucano. Boletim Técnico da Petrobrás, 14 (3/4): 157-192.

32Krasser, F. 1903. Konstatin von Ettinghausen’s Studien über die Fossile Flora von Ouriçanga in Brasilien. Sitzungsberichte der kaiserlichen Akademie der Wissenschaften, 112 (1): 852-860. [Publicado em português, em 1936, como "Sobre a flora fóssil de Ouriçangas, Baía". Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Notas preliminares e estudos, 5: 1-8].

33Melo Jr., J. L. de & Oliveira, P. E. de 1939. Novas localidades fossilíferas do nordeste da Baía. Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Boletim, 103: 1-69, 2 mapas.

Anterior Acima Próximo

Anterior ] Acima ] Próximo ]