Ano 5

Número 55

Julho 2003

 

Bacias sedimentares brasileiras

Bacia de Pernambuco-Paraíba

Bacia de Pernambuco-Paraíba

Wagner Souza-Lima*, Gilberto Athayde Albertão# & Francisco Henrique de Oliveira Lima$

*Fundação Paleontológica Phoenix, Aracaju, Sergipe, Brasil (e-mail: wagner@phoenix.org.br)

#PETROBRAS/UN-BC/ST/CER, Macaé, Rio de Janeiro, Brasil (albertao@petrobras.com.br)

$PETROBRAS/CENPES/BPA, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil (henriquel@cenpes.petrobras.com.br)

 

A bacia de Pernambuco-Paraíba, situada na região costeira dos estados de Pernambuco, Paraíba e margem leste do Rio Grande do Norte, possui uma área total de cerca de 30.000 km2, dos quais cerca de 8.000 km2 estão situados na parte emersa (Figura 1). Na margem leste brasileira, a região ocupada por essa bacia foi, provavelmente, aquela onde o desenvolvimento do rift ocorreu por último. Imediatamente ao sul do Lineamento Pernambuco, na sub-bacia do Cabo, o estabelecimento do rift ocorreu no Eoaptiano, com o desenvolvimento do graben de Cupe1. Ao norte desse lineamento, a ruptura só viria a acontecer, efetivamente, no Turoniano. O retardo do rifteamento deveu-se, sobretudo, à resistência imposta pelas rochas da Província Borborema, cujas direções estruturais eram transversais à direção de propagação da ruptura principal2. A discrepância temporal e a evolução estrutural e sedimentar distintas nas bacias situadas ao sul e ao norte do referido lineamento mostra que, ao contrário da interpretação até há pouco vigente3, estas bacias devem ser consideradas distintas, de modo que a sub-bacia do Cabo tem laços muito mais efetivos, do ponto de vista tectônico e sedimentar, com a bacia de Sergipe-Alagoas que com a bacia de Pernambuco-Paraíba4, 5. Os limites da bacia de Pernambuco-Paraíba são, portanto: o Lineamento Pernambuco, ao sul, que a separa da bacia de Sergipe-Alagoas, o Alto de Touros, ao norte, separando-a da bacia Potiguar, e o sistema de falhas de borda, a oeste, que a separa do embasamento, formado por rochas metamórficas da Província Borborema.

Figura 1 - Arcabouço geotectônico da Província Borborema (modificado2).

Essa bacia é constituída, de sul para norte, nas sub-bacias de Olinda, Alhandra, Miriri, Canguaretama e Natal6, 7, 8, 9. A bacia foi pouco investigada por poços e a sua natureza e estratigrafia, particularmente na sua porção submersa, são interpretadas a partir de dados sísmicos. O conhecimento geológico existente é proveniente, na quase totalidade, de trabalhos de superfície desenvolvidos em afloramentos ao longo da costa7, 10, 9, 11, além de alguns poços rasos, perfurados para água ou pesquisa mineral na região emersa, e apenas um poço mais profundo, perfurado pela PETROBRAS, na ilha de Itamaracá3. Seções sísmicas registradas na plataforma e talude continentais permitem individualizar seqüências deposicionais semelhantes às existentes nas demais bacias costeiras, porém com espessuras mais reduzidas12.

O embasamento desta bacia apresenta elevado grau de complexidade, denotada pela presença de descontinuidades entre as diversas unidades geotectônicas e pelo grande número de feições e estruturas policíclicas, cuja estruturação possui orientação geral NE-SW (Figura 1). É dividido em três grandes domínios pelos lineamentos de Pernambuco e Patos: Maciço de Pernambuco-Alagoas, ao sul, Domínio Transversal (ou Central) e o Domínio Rio Grande do Norte, ao norte13.

Os registros preservados na bacia de Pernambuco-Paraíba mostram que os processos sedimentares foram iniciados tardiamente, quando comparados às bacias adjacentes. É, portanto, plausível supor que, ao longo de boa parte da história evolutiva da margem continental do nordeste brasileiro, a região hoje ocupada pela bacia esteve estruturalmente elevada, servindo como área-fonte dos sedimentos às bacias interiores do Nordeste do Brasil, bacia de Sergipe-Alagoas, bacia Potiguar e mesmo às bacias do oeste africano.

Os sedimentos mais antigos conhecidos são de idade turoniana-campaniana (Figura 2), representados pelas formações Beberibe e Itamaracá, associados ao estágio tectônico de deriva continental. Não são conhecidos sedimentos das fases rift e transicional. Caso existam, o que é provável, devem estar preservados na atual região submersa, ao menos com base no que sugere as interpretações sísmicas12, 14. As formações Beberibe e Itamaracá compõem uma seqüência predominantemente arenosa, sendo correlacionáveis à porção superior da Formação Açu e à Formação Quebradas, da bacia Potiguar. A seqüência é interpretada como um sistema de leques costeiros, gradando para fácies marinhas de água rasa. Os registros mais antigos, datados por palinomorfos, derivam de rochas perfuradas na sub-bacia de Canguaretama15, aqui incluídas, por analogia, na Formação Beberibe.

Figura 2 - Carta estratigráfica da bacia de Pernambuco-Paraíba. As discordâncias apresentadas na seção terciária são interpretadas com base na correlação com as bacias adjacentes.

A partir do Maastrichtiano, a bacia sofreu um evento transgressivo, provavelmente relacionado à sua subsidência térmica, sendo depositada, sobre as unidades siliciclásticas, uma espessa seqüência carbonática. Até o final do Cretáceo foi depositada a seqüência de calcarenitos, calcários terrosos-siliciclásticos e calcilutitos margosos da Formação Gramame, cujas exposições constituem um dos mais importantes registros do Neocretáceo (Maastrichtiano) marinho de todas as bacias marginais brasileiras. Os diversos litotipos refletem sistemas deposicionais desde litorâneos, até marinhos relativamente profundos (nerítico externo), sobre a plataforma. Do Paleoceno ao Eoceno prosseguiu a sedimentação carbonática, porém de caráter regressivo, constituída por calcários nodulares, detríticos, e calcilutitos, associados a intercalações espessas de folhelhos escuros e margas, inseridos na Formação Maria Farinha.

Nas porções mais distais da bacia, desde o Maastrichtiano até o Recente, por analogia com as bacias sedimentares contíguas, teria ocorrido a deposição de sedimentos siliciclásticos de granulação fina, em ambientes de água profunda, que receberam a denominação de Formação Calumbi, a partir da unidade estratigráfica existente na bacia de Sergipe-Alagoas. A presença da Formação Calumbi é interpretada a partir de seções sísmicas, uma vez que não foi constatada em afloramentos, nem nos poços perfurados na porção emersa dessa bacia. Por fim, a seção emersa é recoberta, em parte, pelos sedimentos neocenozóicos do Grupo Barreiras, e por sedimentos de praia e aluviões.

Apesar de apresentar reduzido potencial na exploração e prospecção de hidrocarbonetos, em virtude da pequena espessura sedimentar conhecida bem como da aparente ausência de condições propícias à geração e migração, a bacia tem grande importância para estudos sedimentológicos e estratigráficos devido aos excelentes afloramentos. A principal importância econômica registrada na bacia diz respeito ao fosfato e ao calcário. O fosfato é encontrado nos fosforitos que ocorrem nas camadas transicionais entre as formações Beberibe e Gramame. Esses fosforitos, distribuídos de forma esparsa principalmente nas regiões das cidades de Paulista e Olinda (Estado de Pernambuco), foram explorados à sua exaustão econômica no início da década de 1980. Em relação ao calcário, significativos volumes de rocha das formações Gramame e Maria Farinha são explorados em diversas pedreiras distribuídas ao longo da faixa sedimentar entre Recife e João Pessoa.

As primeiras referências ao conteúdo fóssil da bacia de Pernambuco-Paraíba remontam ao final do século 1916, 17. Desde então, vários trabalhos, particularmente de cunho sistemático, foram feitos sobre os seus fósseis. A riqueza e diversidade do registro fóssil da seção marinha neocretácea-eoterciária da bacia tem caráter praticamente único no Brasil. Quando associada ao estudo das seções marinhas existentes nas bacias adjacentes permite a composição de uma seção estratigráfica praticamente completa, representativa do Cretáceo (Aptiano-Maastrichtiano) e Terciário (Paleoceno-Eoceno) marinho das bacias da margem leste brasileira. Os refinamentos estratigráfico e bioestratigráfico dessa seção têm permitido uma melhor correlação biocronoestratigráfica entre as zonas aqui definidas e as zonas-padrão do Cretáceo-Terciário marinho mundial, do Hemisfério Norte, em particular.

A associação fossilífera da Formação Beberibe restringe-se, praticamente, à fácies lagunar-estuarina, aflorante nas imediações de Recife. Compõe-se, predominantemente, por biválvios (p. ex., Pteria, Gervillia, Inoceramus, Lima, Volsella, Tellina, Corbula)18, 19. Fragmentos de amonóides atribuídos às espécies Prionotropis sp. e Choffaticeras koeneni (Riedel), indicariam idade turoniana para esta unidade18, 20. Posteriormente esta última espécie teria sido reclassificada como Pseudoschloenbachia umbulazi, indicando idade neosantoniana/campaniana para esta formação21.

Do ponto de vista faciológico, a Formação Gramame pode ser dividida em três fácies: calcária, detrítica e fosfática22.

Na fácies calcária, destacam-se os amonóides, cujo grupo foi o primeiro a ser utilizado para estudos bioestratigráficos nessa bacia. Da região do Rio Gramame, na Paraíba, no final do século 19, foram descritos os gêneros Sphenodiscus, Pseudophyllites, Canadoceras, Glyptoxoceras e Pachydiscus, este último com 21 espécies, todos indicativos de idade maastrichtiana23. Coleções mais recentes mostram a ocorrência das espécies Axonoceras cf. A. compressum, Phylloceras (Hypophylloceras) cf. P. (H.) surya, Axonoceras pingue, Hauericeras sp., Gaudryceras sp.19, P. (Pachydiscus) cf. P. (P.) gollevillensis, P. (Pachydiscus) cf. P. (P.) jacquoti, Eupachydiscus? e Diplomoceras sp. Entre os equinóides foram descritos Linthia romani, Hemiaster sp., Coenholectypus parahybensis, Codiopsis castroi e Gomphechinus sp., o que confirma a idade maastrichtiana para essa unidade24. A ocorrência de biválvios e gastrópodos é secundária, destacando-se Atrina reginamaris e Volutomorpha sp., respectivamente. São comuns anelídeos do gênero Hamulus (Figura 3). Com menor freqüência são encontrados os crustáceos Calianassa sp. e Ophthalmoplax sp., dentes diversos de seláquios e encodontídeos, além de répteis mosassaurídeos Os microfósseis (Figura 4) são abundantes, em sua maioria com grande importância bioestratigráfica, tais como foraminíferos25, 26, 27, 28, nanofósseis11, palinomorfos29, 30, 31 e ostracodes32, 33. Além desses, com um potencial bioestratigráfico pouco explorado, pode-se citar o registro de roveacrinídeos nessa unidade34.

Figura 3 - Fósseis da Formação Gramame: amonóide - a) Pachydiscus sp. (FPH-1401-I); b) Diplomoceras sp. (FPH-1400-I); equinóide - c) Linthia romani Brito, 1981 (FPH-1399-I); anelídeo - d) Hamulus sp. (FPH-1407-I); biválvio - e) Neithea (Neithea) latericostata Muniz, 1993 (IG-UFPE-2841). Barra de escala = 10 mm.

Na fácies litorânea da Formação Gramame, os depósitos são caracteristicamente detríticos, conchíferos, apresentando uma gran-de concentração de biválvios e gastrópodos típicos de águas rasas em ambientes de alta energia. Destacam-se os biválvios Pseudocucullaea sp., Trigonarca sp., Neithea (Neithea) latericostata, Veniella sp., Liopistha sp., Pholadomya sp., e Venericardia (Venericardia) marisaustralis. Entre os gastrópodos, citam-se Volutomorpha sp., Mesalia sp., vários turritellídeos, Cerithium sp. e Fusinus sp.19.

A associação da fácies fosfática é mais monótona, predominando pequenos gastrópodos (p. ex., Helycaulax sp.) e biválvios (p. ex., Plicatula sp., Venericardia sp). Um amonóide, Baculites sp., foi descrito dos níveis fosfáticos35.

Figura 4 - Alguns microfósseis da bacia de Pernambuco-Paraíba: a, b, c) Formação Gramame - a) foraminífero bentônico da família Siphogenerinoididae (seção transversal); b) foraminífero planctônico Hedbergella holmdelensis (seção axial); c) foraminífero bentônico da família Gavelinellidae (seção transversal); d, e) Formação Maria Farinha - d) nanofóssil Braarudosphaera bigelowii; e) nanofóssil Thoracosphaera sp.

O conteúdo fóssil da Formação Maria Farinha apresenta um caráter bastante distinto daquele da Formação Gramame, que lhe é sotoposta (Figura 5). O estudo do conteúdo fóssil dessas duas unidades, em particular nos afloramentos da Pedreira Poty, em Paulista, Pernambuco, constitui uma oportunidade ímpar da observação das mudanças faunísticas envolvidas na transição entre o Cretáceo e o Terciário. O desaparecimento de certo modo abrupto de diversos grupos, entre os quais os amonóides, dá lugar ao surgimento de uma associação completamente distinta. Os cefalópodes, antes representados pelos amonóides, passam a ser representados pelo grupo dos nautilóides, tendo sido descritos Hercoglossa lamegoi e Cimomia pernambucensis36. Os gastrópodos são representados por diversos gêneros, entre os quais Campanile, Turritella, Cerithium, Nerita, Neritopsis e Fusinus37. Os biválvios mais freqüentes são Venericardia sp. e Nuculana sp. Além desses, com menor freqüência, são registrados o briozoário Lunulites (Heteractis) barbosae38, os corais hermatípicos Stephanocoenia pernambucensis, e Paracyathus sp.39; e crustáceos decápodas40, 41. Os vertebrados estão normalmente representados por peixes, alguns completos, e dentes de crocodilianos. Devido à importância em definir-se adequadamente o limite Cretáceo-Terciário, em geral os trabalhos sistemáticos envolvendo estudo de microfósseis na seção cretácea abordam também os microfósseis da seção terciária (Figura 4). As características da fauna mostram afinidades principalmente com a província caribenha. De um modo geral, a indicação de idade é paleocênica, estendendo-se até o Eoceno42.

Figura 5 - Fósseis da Formação Maria Farinha: gastrópodo - a) Euspira parahybensis (Maury, 1930) (FPH-1402-I); b) Fusus? sp. (FPH-1403-I); c) Campanile brasiliensi Maury, 1930 (FPH-1404-I); biválvio - d) Venericardia (Venericardia) marisaustralis Maury, 1930 (FPH-1405-I); coral - e) Stephanocoenia pernambucensis Fernandes, 1978 (FPH-1398-I); peixes - f) Odontaspis sp. (FPH-196-V); g) Cretolamna sp. (FPH-197-V); crustáceo - h) Retrocypoda? sp. (FPH-1406-I); briozoário - i) Lunulites (Heteractis) barbosae Buge & Muniz, 1974 (FPH-1408-I). Barra de escala = 10 mm, exceto d, e, i = 5 mm.

Uma importante peculiaridade constatada na área aflorante dessa bacia diz respeito à porção superior da Formação Gramame e à inferior da Formação Maria Farinha que representam o registro sedimentar do Maastrichtiano (Cretáceo) terminal bem como do início do Paleoceno (Terciário)10. Nessa porção constitui o único registro conhecido, razoavelmente contínuo e exposto em superfície, no Brasil, do período da história da Terra identificado como limite Cretáceo-Terciário (limite K-T, como é mais conhecido), ocorrido há aproximadamente 65 milhões de anos. Nesse período são reconhecidas evidências da ocorrência de uma crise biótica possivelmente sem precedentes nos ecossistemas terrestres e marinhos, estimando-se que cerca de 70% das espécies viventes à época, incluindo-se aí os dinossauros e amonóides, tenha sido extinta do planeta. Importantes evidências deste evento, identificando anomalias geoquímicas, particularmente de elementos cuja origem é considerada predominantemente extraterrestre (por exemplo, o irídio), em finas camadas de argila nas proximidades do limite K-T de diversas localidades do globo terrestre, têm sido apresentadas43. Foi proposto que o impacto de um bólido extraterrestre (meteorito, asteróide ou cometa) de grandes dimensões (cerca de 10 km de diâmetro) seria a principal causa das extinções e de outras particularidades observadas no limite K-T.

Nos afloramentos estudados na bacia, particularmente na área da Pedreira Poty (município de Paulista, Estado de Pernambuco), foram identificadas, na base da Formação Maria Farinha (Figura 6), evidências paleontológicas (extinções em massa da biota)44, sedimentológicas (presença do registro sedimentar de uma provável onda gigante relacionada ao impacto, os tsunamitos) e geoquímicas (anomalia de irídio)10, indicando a plausibilidade da hipótese do impacto. Trabalhos posteriores, nas mesmas áreas, revelaram novas evidências de suporte à hipótese do impacto no limite K-T45.

O estudo de microfósseis nas proximidades do limite K-T revelou também suporte à hipótese do impacto, à semelhança do que ocorre em outras localidades de outros continentes e que apresentam sedimentação contínua ao longo desse período temporal. Particularmente palinomorfos, dinoflagelados e foraminíferos10, 44, 28 indicam uma abrupta extinção ao final do Cretáceo e um lento aparecimento de novas formas a partir do Eopaleoceno (Daniano).

Figura 6 - Porção contínua e pouco intemperizada, ao longo do limite K-T, exposto na Pedreira Poty, em Pernambuco. O limite, indicado é a porção mais argilosa da seqüência, onde ocorre a anomalia de irídio.

Palinomorfos caracterizam o fim do Cretáceo com extinções de várias espécies de Dinogymnium, assim como de Cricotriporites almadaensis e Ariadnaesporites sp., enquanto o início do Terciário caracteriza-se pelo aparecimento de vários polens e esporos tais como Echitriporites trianguliformis, Schizeoisporites eocenicus, Proxaspertites cursus e palmas. Foraminíferos caracterizam o fim do Cretáceo com o desaparecimento de espécies tais como Rugoglobigerina ex gr. rugosa, Contusotruncana contusa e Pseudoguembelina costulata, enquanto o início do Terciário apresenta a continuidade da Guembelitria cretacea, bem como o aparecimento da Eoglobigerina edita e Parvularugoglobigerina eugubina, entre outras.

Embora exista alguma discussão acerca do exato posicionamento do limite K-T28, 46, 45, a seqüência sedimentar aflorante na Pedreira Poty permanece como a melhor exposição desse período temporal nas bacias sedimentares brasileiras. Da mesma forma, a anomalia de irídio continua como a única identificação feita, até o presente momento, nas nossas bacias. Associados a essa anomalia são encontrados fragmentos de quartzo estriado e ainda esférulas, elementos deposicionais também possivelmente relacionados ao impacto46, 47. A presença do provável tsunamito46 é particularmente importante, pois tem sido considerada como uma das poucas evidências inquestionáveis de tsunamito distal, relacionado ao evento do limite K-T48. O registro dessa camada é excepcionalmente contínuo10, aflorando pontualmente desde a Pedreira Poty, no município de Paulista, até a localidade da Ponta do Funil, cerca de 20 km ao norte. Entre esses extremos observa-se sua presença em subsuperfície, tendo sido caracterizada através do testemunho recuperado no único poço perfurado nessa bacia pela Petrobras, na Ilha de Itamaracá.

1 Pereira, M. J. 1994. Seqüências deposicionais de 2ª/3ª ordens (50 a 2,0 Ma) e tectono-estratigrafia no Cretáceo de cinco bacias marginais do Brasil. comparações com outras áreas do globo e implicações geodinâmicas. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Tese de doutorado não publicada, 2 vol, 295 pp., 141 figs.

2 Matos, R. M. D. 1998. The transversal zone: a key feature between NE Brazil and W Africa. In: Mello, M. R. & Yilmaz, P. O. (eds.), AAPG International Conference & Exhibition, Rio de Janeiro - Brazil, Proceedings, 1: 426-427.

3 Feijó, F. J. 1995. Bacia de Pernambuco-Paraíba. Boletim de Geociências da PETROBRAS, 8 (1): 143-147 [para o ano de 1994].

4 Alheiros, M. M. & Ferreira, M. da G. de V. X. 1994. The tectonic identity of the Cabo Sub-basin, south of Recife, Pernambuco State, Brazil. In: International Sedimentological Congress, 14, Recife, 1994, Abstracts, pp. F1-F3.

5 Souza-Lima, W.; Andrade, E. de J.; Bengtson, P. & Galm, P. C. 2002. A bacia de Sergipe-Alagoas: evolução geológica, estratigrafia e conteúdo fóssil. Fundação Paleontológica Phoenix, Edição especial, 1, 34 pp.

6 Mabesoone, J. M. & Alheiros, M. M. 1988. Origem da Bacia Sedimentar de Pernambuco-Paraíba. Revista Brasileira de Geociências, 18 (4): 476-482.

7 Mabesoone, J. M. (Coord.) 1991. Revisão Geológica da Faixa Sedimentar Costeira de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Universidade Federal de Pernambuco, Estudos e Pesquisas, Série B, 10: 1-252.

8 Mabesoone, J. M. & Alheiros, M. M. 1993. Evolution of the Pernambuco-Paraíba-Rio Grande do Norte Basin and the problem of the South Atlantic connection. Geologie en Mijnbouw, 71: 351-362.

9 Mabesoone, J. M. 1994. Sedimentary basins of northeast Brazil. Departamento de Geologia, Universidade Federal de Pernambuco, Publicação Especial, 2:1-308.

10 Albertão, G. A. 1993. Abordagem interdisciplinar e epistemológica sobre as evidências do limite Cretáceo-Terciário, com base em leituras efetuadas no registro sedimentar das bacias da costa leste brasileira. Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, Dissertação de Mestrado, 2 volumes. 297 pp.

11 Lima, F. H. O. 2002. Estratigrafia integrada do Maastrichtiano (Formação Gramame) da Bacia de Pernambuco-Paraíba – NE do Brasil: caracterização faciológica e evolução paleoambiental. Universidade Federal Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Tese de Doutorado não publicada, 2 volumes. 478 pp.

12 Alves, E. da C. & Costa, M. P. de A. 1986. Interpretação sismo-estratigráfica da porção norte do platô de Pernambuco e suas possíveis correlações com a bacia Pernambuco-Paraíba. In: Congresso Brasileiro de Geologia, 34, Goiânia, Goiás, 1986. Sociedade Brasileira de Geologia, Anais, 1: 286-297.

13 Brito Neves, B. B. de; Santos, E. J. & Van Shumus, W. R. 2000. Tectonic history of the Borborema Province. In: Cordani, U. G.; Milani, E. J.; Thomaz Filho, A. & Campos, D. A. (eds.), Tectonic Evolution of South America. International Geological Congress, 31, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2000, pp. 151-182.

14 Gomes, P. O. & Gomes, B. S. 1997. Transição crustal no Platô de Pernambuco: uma caracterização geofísica a partir de dados do projeto LEPLAC. In: Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, 5, São Paulo, São Paulo, 1997. Sociedade Brasileira de Geofísica, Resumos Expandidos, 1: 11-14.

15 Queiróz, M. A.; Macedo, J. J. W. P.; De Rooy, C. & Araujo, T. C. M. 1985. Contribuição da geofísica ao mapeamento geológico da area de Canguaretama, RN. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Geologia, Boletim, 10: 58-67.

16 Hartt, C. F. 1870. Geology and Physical Geography of Brazil.Boston, Fields, Osgood & Co, reeditado por Robert E. Krieger Ed., New York, 1975, 620 pp.

17 Rathbun, R. 1875. Preliminary report on the Cretaceous lamellibranchs collected in the vicinity of Pernambuco, Brazil, on the Morgan Expedition of 1970, Ch. Fred. Hartt in charge. Proceedings of the Boston Society of Natural History, 17: 241-256.

18 Kegel, W. 1957. Novo membro fossilífero da Formação Itamaracá (Cretáceo Superior) de Pernambuco. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 29 (3): 373-375.

19 Muniz, G. da C. B. 1993. Novos moluscos fósseis da Formação Gramame, Cretáceo superior dos Estados da Paraíba e de Pernambuco, Nordeste do Brasil, com dados gerais sobre a formação e revisão de diversas espécies anteriormente descritas. Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Geologia, Publicação Especial, 1, 203 pp., 16 estampas.

20 Beurlen, K. 1961. O Turoniano marinho do Nordeste do Brasil. Boletim da Sociedade Brasileira de Geologia, 10 (2): 39-52.

21 Beurlen, K. 1967. Paleontologia da faixa sedimentar costeira Recife-João Pessoa. Boletim da Sociedade Brasileira de Geologia, 16 (1): 73-79.

22 Mabesoone, J. M. & Oliveira, L. D. D. 1991. Paleontologia estratigráfica. In: Mabesoone, J. M. (coord.), Revisão Geológica da Faixa Sedimentar Costeira de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Universidade Federal de Pernambuco, Estudos e Pesquisas, Série B, 10: 105-109.

23 Maury, C. J. 1930. O Cretaceo da Parahyba do Norte. Serviço Geologico e Mineralogico, Monographia, 8: 1-305, Album das estampas, I-XXIII, estampas 1-35. Rio de Janeiro.

24 Smith, A. B. & Bengtson, P. 1991. Cretaceous echinoids from north-eastern Brazil. Fossils and Strata, 31: 1-88. Universitetsforlaget, Oslo.

25 Kegel, W. 1954. Nota sobre os microfósseis do fosfato cretáceo de Pernambuco. Boletim da Sociedade Brasileira de Geologia, 3 (1): 73-76.

26 Tinoco, I. M. 1967. Micropaleontologia da faixa sedimentar costeira Recife. João Pessoa. Boletim da Sociedade Brasileira de Geologia, 16 (1): 79-83.

27 Tinoco, I. M. 1976. Foraminíferos planctônicos e a passagem entre o Cretácio e o Terciário, em Pernambuco, Nordeste do Brasil. In: Congresso Brasileiro de Geologia, 29, Ouro Preto, Minas Gerais, 1976. Sociedade Brasileira de Geologia, Anais, 2: 17-35.

28 Koutsoukos, E. A. M. 1996. The Cretaceous-Tertiary boundary at Poty, NE Brazil: Event stratigraphy and palaeoenvironments. Géologie de l’Afrique et de l’Atlantique Sud: Actes Colloques Angers 1994, Memoir, 16: 413-431.

29 Stinnesbeck, W. 1989. Fauna y microflora en el límite Cretácico-Terciario en el estado de Pernambuco, Noreste de Brasil. In: Simpósio sobre el Cretácico de América Latina, Buenos Aires, Argentina, 1989. Contribucionas, Pte. A: Eventos y registro sedimentario, pp. 215-230.

30 Regali, M. da S. P. 1994. O limite KT no Brasil. In: Congesso Brasileiro de Paleontologia, 13, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, 1993. Acta Geologica Leopoldensia, 39 (2): 473-484.

31 Sarkis, M. F. R. 2002. Palinoestratigrafia com base em dinoflagelados do limite Cretáceo-Terciário, Pedreira Poty, Bacia de Pernambuco-Paraíba, Nordeste do Brasil. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Tese de Doutorado não publicada, 253 pp.

32 Fauth, G.; Koutsoukos, E. A. M. & Bengtson, P. 1997. Uppermost Maastrichtian Ostracoda from the Poty Quarry section, Pernambuco-Paraíba Basin, northeastern Brazil. In: Bechstaedt, T.; Bengtson, P.; Greiling, R. & Schweizer, V. (eds.): IAS Regional European Meeting of Sedimentology, 18, Heidelberg, Alemanha, 1997. Gaea heidelbergensis, 3: 128.

33 Fauth, G. 2000. The Cretaceous-Tertiary (K-T) boundary ostracodes from the Poty Quarry, Pernambuco-Paraíba Basin, northeastern Brazil: systematics, biostratigraphy, palaeoecology and palaeobiogeography. University of Heidelberg, Heidelberg, Alemanha. Tese de Doutorado não publicada, 170 pp.

34 Lima, F. H. O. 2003. Microcrinóides da Formação Gramame, bacia de Pernambuco-Paraíba, Nordeste do Brasil. In: Congresso Brasileiro de Paleontologia, 18, Brasília, Distrito Federal, 2003. Sociedade Brasileira de Paleontologia, Universidade de Brasília, Boletim de Resumos, p. 171.

35 Oliveira, P. E. de 1957. Invertebrados cretácicos do fosfato de Pernambuco. Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Boletim, 172, 29 pp., 2 estampas.

36 Oliveira, P. E. de 1953. Invertebrados fósseis da Formação Maria Farinha, I - Cephalopoda. Departamento Nacional da Produção Mineral, Divisão de Geologia e Mineralogia, Boletim, 146, 33 pp., 4 estampas.

37 Cassab, R. de C. T. 1983. Moluscos fósseis da Formação Maria Farinha, Paleoceno de Pernambuco. (Gastropoda). Anais da Academia Brasileira de Ciências, 55 (4): 385-393.

38 Buge, E. & Muniz, G. da C. B. 1974. Lunulites (Heteractis) barbosae, nouvelle spèce de bryozoaire lunulitiforme (Bryozoa, Cheilostomata) du Paléocène du Nord-Est du Brésil. Annales de Paléontologie (Invertebrés), 60 (2): 191-202, 2 estampas.

39 Fernandes, A. C. S. 1978. Corais hermatípicos da Formação Maria Farinha, Paleoceno do Estado de Pernambuco. In: Congresso Brasileiro de Geologia, 30, Recife, Pernambuco, 1978. Sociedade Brasileira de Geologia, Anais, 2: 960-964.

40 Beurlen, K. 1959. Observações sobre a Formação Maria Farinha. Recife, Universidade Federal de Pernambuco, Escola de Geologia, Boletim, p. 5-15.

41 Távora, V. de A.; Miranda, M. C. da & Miranda, V. F. de O. 2003. Sistemática e tafonomia dos crustáceos decápodes da Formação Maria Farinha (Paleoceno), Estado de Pernambuco, Brasil. In: Congresso Brasileiro de Paleontologia, 18, Brasília, Distrito Federal, 2003. Sociedade Brasileira de paleontologia, Universidade de Brasília, Boletim de Resumos, p. 297.

42 Almeida, J. A. C. de 2000. Calcários recifais eocênicos da Formação Maria Farinha na sub-bacia de Alhandra, Paraíba: aspectos taxionômicos, paleoecológicos, paleoambientais e estratigráficos. Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Tecnologia, Pós-Graduação em Geociências, Recife, pernambuco, Dissertação de Mestrado não publicada, i-xiii, 143 pp., 10 estampas.

43 Alvarez, L. W.; Alvarez, W.; Asaro, F. & Michel, H. 1980. Extraterrestrial cause for the Cretaceous-Tertiary extinction. Science, 208: 1095-1108.

44 Albertão, G. A.; Regali, M. da S. P.; Koutsoukos, E. A. M. & Martins Jr., P. P. 1994. O registro micropaleontológico, com base em foraminíferos e palinomorfos, no limite Cretáceo-Terciário na Bacia de Pernambuco-Paraíba, Nordeste do Brasil. In: Congesso Brasileiro de Paleontologia, 13, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, 1993. Acta Geologica Leopoldensia, 39 (1): 131-145.

45 Martins Jr., P. P.; Albertão, G. A. & Haddad, R. 2000. The Cretaceous-Tertiary Boundary in the context of impact geology and sedimentary record – an analytical review of 10 years of researches in Brazil. Brazilian Contributions to the 31st. International Geological Congress. Revista Brasileira de Geociências, 30 (3): 460-465.

46 Albertão, G. A. & Martins Jr., P. P. 1996. A possible tsunami deposit at the Cretaceous-Tertiary boundary in Pernambuco, northeastern Brazil. Sedimentary Geology 104: 189-201.

47 Marini, F.; Albertão, G. A.; Oliveira, A. D. & Delicio, M. P. 2000. Preliminary SEM and EPMA investigations o the KTB spherules from the Pernambuco area (NE Brazil): diagenetic apatite and fluorite concretions, suspected fluorine anomalies. In: Detre, C.H. (ed.), Terrestrial and Cosmic Spherules – Proceedings of the 1998 Annual Meeting TECOS (Terrestrial and Cosmic Spherules International Project). Akadémiaia Kiadó, Budapest, pp 109-117.

48 Dypvnik, H. & Jansa, L. F. 2003. Sedimentary signatures and processes during marine bolide impacts: a review. Sedimentary Geology 161: 309-337.

Anterior Acima Próximo

Anterior ] Acima ] Próximo ]