Neste número:

  1. Geologia: Sergipe-Alagoas durante o Permiano
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Ano 1

Número 6

Junho 1999

Botryococcus braunii, uma alga fóssil da bacia Potiguar. Foto: Banco de imagens de microfósseis da PETROBRAS. Um mergulho no tempo geológico

Das geleiras para o deserto

Este ano a comunidade paleontológica brasileira conta com três importantes eventos científicos: o Congresso Brasileiro de Paleontologia, a ser realizado na cidade do Crato, Ceará, entre 01 e 07 de Agosto, e o 5° Simpósio sobre o Cretáceo do Brasil, que será realizado em conjunto com o 1° Simpósio sobre o Cretáceo da América do Sul, em Serra Negra, São Paulo, entre 29 e 02 de Setembro.

A equipe da Fundação Paleontológica Phoenix participará dos dois eventos, apresentando alguns dos trabalhos realizados nos últimos meses e as atividades desenvolvidas na área de ensino de paleontologia.

Geologia: Sergipe-Alagoas

durante o Permiano

Neste número damos continuidade à apresentação da história geológica da bacia de Sergipe-Alagoas, mostrando os registros sedimentares que sucederam aos depósitos gerados pelas geleiras do Carbonífero superior.

Após o período glacial do final do Carbonífero, há cerca de 300 milhões de anos, os registros que ficaram preservados são representados por sedimentos depositados durante o Permiano, um período do Paleozóico situado entre 290 e 245 milhões de anos atrás.

Neste período, o clima foi bastante diferente do anterior. Com a movimentação do grande continente de Gondwana das altas latitudes para a região equatorial, o clima tornou-se bastante seco e quente. As geleiras e algumas áreas com provável influência marinha do período anterior foram substituídas por extensos corpos aquosos, provavelmente lagos, e campos de dunas. As florestas de clima temperado foram progressivamente substituídas por uma vegetação escassa e de pequeno porte.

Mapa paleogeográfico do final do Permiano (cerca de 255 milhões de anos). Sergipe e Alagoas estavam situadas em áreas sub-equatoriais (adaptado de Scotese, 1997).

Embora o clima fosse mais árido e quente do que aquele existente durante o Carbonífero, a existência dos lagos propiciou a proliferação de grande quantidade de algas, muitas microscópicas. Os sedimentos transportados pela água e pelos ventos eram aprisionados na malha orgânica a partir do crescimento destas algas, formando verdadeiros tapetes algais. Estas construções algais ficaram preservadas nas rochas sob a forma de estromatólitos, constituindo uma forma fóssil bastante comum nestas rochas.

Esta mudança climática ficou também registrada em outras bacias brasileiras, como na bacia de Tucano (Bahia), Parnaíba (Maranhão-Piauí) e Paraná.

Rochas de idade permiana ocorrem principalmente na região sul do Estado de Alagoas. Entretanto, um dos afloramentos mais característicos desta idade, estudado ainda por Hartt no século passado, situa-se em Sergipe, às margens do rio São Francisco, pouco a sul da cidade de Neópolis.

Morro do Aracaré, às margens do rio São Francisco, em Sergipe - localidade-tipo das rochas permianas na bacia de Sergipe-Alagoas (Foto: Wagner Souza Lima).

Nesta região, estas rochas são representadas por arenitos interpretados como de origem eólica e por níveis de laminitos algais silicificados.

O clima quente e árido não propiciou o desenvolvimento de uma fauna e flora diversificada durante o Permiano nesta região. Exceto pelas bioconstruções algais, nenhuma outra grande forma fóssil foi até o momento encontrada. Como microfósseis, ocorrem alguns esporomorfos de gimnospermas, cuja associação confere idade permiana a estas rochas. A presença da alga Botryococcus braunii e de prováveis algas carófitas sugere que estas rochas foram originadas em um ambiente sob influência de água doce.

Arenitos de origem eólica de idade permiana - um deserto? (Foto: Wagner Souza Lima).

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