Neste número:

  1. Geologia: Sergipe-Alagoas e o início do Cretáceo
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Ano 1

Número 7

Julho 1999

Bisulcocypris pricei, um ostracode fóssil do Jurássico da bacia do Jtobá (Pernambuco). Foto: Brito et al., 1984. Um mergulho no tempo geológico

O Parque Jurássico do Nordeste

A Fundação Paleontológica Phoenix, ampliando sua atuação na área de ensino, iniciou os estudos para implantação de um roteiro turístico geológico-paleontológico na bacia de Sergipe-Alagoas. Será o primeiro roteiro com este enfoque no País, estruturado não apenas para os pesquisadores, mas também para estudantes e turistas que visitam o Estado de Sergipe.

Simultaneamente à realização deste projeto, serão desenvolvidos os trabalhos de preservação de afloramentos na bacia. Estes afloramentos serão escolhidos dentre aqueles que contenham registros representativos da história geológica da bacia, tanto do ponto de vista geológico como paleontológico, permitindo que áreas fundamentais ao contínuo conhecimento científico da bacia não sejam definitivamente perdidas.

Geologia: Sergipe-Alagoas e o início do Cretáceo

Neste número, continuamos a história geológica da bacia de Sergipe-Alagoas, dando um pequeno salto no tempo. Passaremos do Permiano ao Jurássico superior, há cerca de 150 milhões de anos.

O intervalo de quase 100 milhões de anos entre estes dois períodos não possui registros sedimentares na bacia. Duas interpretações podem ser feitas: ou não houve deposição, sendo a região essencialmente submetida a erosão, ou os sedimentos depositados foram erodidos antes da deposição daqueles do Jurássico superior. A ausência de rochas neste intervalo impede que se conheça a história deste grande intervalo de tempo.

Neste período provavelmente foram iniciados os primeiros eventos relacionados à ruptura do grande continente de Gondwana, então situado numa posição subequatorial, que culminariam com a origem do oceano Atlântico Sul.

Em um primeiro estágio, ocorreu um arqueamento da camada superficial da terra, denominada crosta, aproximadamente ao longo da atual linha de costa. Este arqueamento margeava grandes e alongadas depressões, ocupadas por lagos, muitos deles efêmeros. Ao redor destas depressões, rios provavelmente intermitentes, com leitos muito amplos e rasos cruzavam áreas onde outrora se desenvolvera uma exuberante floresta de coníferas, já decadente. Uma grande quantidade de troncos destas árvores foi carregado pelos rios e incorporados aos sedimentos, ainda hoje preservados como fósseis.

Mapa paleogeográfico do final do Jurássico (cerca de 150 milhões de anos). Sergipe e Alagoas estavam situadas próximos a áreas sob processos de desertificação (adaptado de Scotese, 1997).

Rochas de idade jurássica ocorrem principalmente na região norte do Estado de Sergipe, nos municípios de Malhada dos Bois, São Francisco e Japoatã. Algumas exposições são encontradas ao sul do Estado de Alagoas, na região de Igreja Nova.

Nesta região, as rochas desta idade são representadas genericamente por arenitos e folhelhos vermelhos. Os arenitos apresentam com freqüência fragmentos de troncos fossilizados de coníferas, alguns atingindo mais de três metros de comprimento. Nos folhelhos são comuns fósseis milimétricos de pequenos crustáceos denominados ostracodes, e também de conchostráceos. Restos de peixes ocorrem raramente, além de outros fragmentos de vertebrados.

Malhada dos Bois, em Sergipe - uma das localidades onde ocorrem rochas jurássicas na bacia de Sergipe-Alagoas (Foto: Wagner Souza Lima).

A existência dos conchostráceos é um indicativo do caráter temporário dos lagos nesta época, bem como a coloração vermelha dos sedimentos argilosos, refletindo condições oxidantes durante a deposição dos mesmos.

Rochas com características bastante similares, inclusive quanto ao conteúdo fossilífero, ficaram também preservadas em outras bacias brasileiras, como em Recôncavo/Tucano (Bahia), Araripe (Ceará/ Pernambuco) e Jatobá (Pernambuco/Bahia).

Tronco fossilizado de conífera aflorando no município de Malhada dos Bois, Sergipe - florestas petrificadas do Jurássico (Foto: Wagner Souza Lima).

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