Neste número:

  1. Geologia: Sergipe-Alagoas e o início do Cretáceo
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Ano 1

Número 9

Setembro 1999

Escama de Lepidotes sp., um peixe fóssil do Cretáceo inferior da bacia de Alagoas Um mergulho no tempo geológico

A fragmentação de um grande continente

A Fundação Paleontológica Phoenix, à medida que prossegue na estruturação dos projetos a serem enviados ao Ministério da Cultura, agiliza a criação do roteiro turístico geo-paleontológico da bacia de Sergipe-Alagoas. Desta forma, pesquisadores que queiram visitar nossa bacia poderão contar em breve com auxílio profissional especializado no agendamento de excursões de um ou mais dias, com opção de pernoites e refeições, e também visitas a pontos naturais e turísticos nos dois estados.

Dando continuidade à história do desenvolvimento geológico da bacia de Sergipe-Alagoas, passamos a mostrar as modificações que ocorreram a partir do início do Cretáceo, há cerca de 145 milhões de anos.

Geologia: Sergipe-Alagoas e o início do Cretáceo

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Após o término do Jurássico, quando teriam provavelmente ocorrido os primeiros eventos relacionados à ruptura do grande continente de Gondwana, a crosta sobre a qual situa-se a bacia de Sergipe-Alagoas sofreu uma série contínua de esforços. Estes esforços denominados "tectônicos" deram origem a um grande número de falhas, de modo que a bacia de Sergipe-Alagoas foi estruturada como um conjunto de áreas elevadas ou baixas, que condicionaram profundamente a sedimentação a partir do início do Cretáceo. Esta série de eventos que causaram a compartimentação da bacia estão inclusos num estágio tectônico denominado "RIFT". Esta terminologia deriva da região do "Rift-Valley", no leste da África, onde eventos semelhantes estão hoje acontecendo.

As áreas mais baixas foram ocupadas preferencialmente por lagos amplos, relativamente profundos, para onde fluíam vários rios. Os sedimentos depositados nestes estágios iniciais são predominantemente areno-argilosos. Em seguida, com o aumento dos esforços tectônicos na região, aumentou a entrada de sedimentos mais grossos na bacia sedimentar, representados por seixos de grandes dimensões, principalmente nas bordas da bacia. Há cerca de 125 milhões de anos, instalou-se na área um sistema lacustre bastante peculiar: um lago em cujas margens acumulavam-se conchas em abundância, formando depósitos denominados de coquinas. No interior deste lago proliferou uma farta fauna de peixes de água doce.

Rochas deste período de tempo, representativo do início do Cretáceo, estão expostas principalmente no Estado de Alagoas. As melhores exposições estão em São Miguel dos Campos, nos arredores de Maceió e às margens do rio São Francisco, na divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe.

Nos folhelhos são muito comuns os fósseis de ostracodes, em alguns níveis. Restos de peixes ocorrem com freqüência nas camadas mais superiores, estando muitas vezes bem preservados.

Rochas com características bastante similares, inclusive quanto ao conteúdo fossilífero, ficaram também preservadas em outras bacias brasileiras, como em Recôncavo/Tucano (Bahia), Araripe (Ceará/Pernambuco) e Jatobá (Pernambuco/Bahia).

Esquema evolutivo da ruptura do Gondwana e separação das placas sul-americana e africana. Em destaque a configuração dos dois continentes durante o início do Cretáceo.

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